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sábado, 17 de novembro de 2018

Como Trotsky em NYC influenciou a revolução Bolchevique


O dia de folga de Trotsky: Como uma visita à NYC influenciou a revolução Bolchevique.

Entre 1881 e 1917, Nova York era a metrópole de crescimento mais rápido e mais etnicamente diversa que o mundo já havia visto.
Os judeus compunham mais de um quinto da população em expansão da cidade, de 5,5 milhões. A maioria veio da região ocidental da Rússia imperial.
A maior presença judaica em Nova York era no Lower East Side, onde o iídiche era a língua das ruas, cafés, teatros, cinemas e da imprensa judaica - predominantemente socialista, de esquerda e internacionalista.
Em janeiro de 1917, o judeu revolucionário radical Lev Davidovich Bronstein, também conhecido como Leon Trotsky, chegou a esse vasto antro cosmopolita.
Kenneth D. Ackerman, advogado e historiador de Washington D.C., publicou recentemente o livro “Trotsky in New York 1917: A Radical on the Eve of Revolution.”
O livro relembra as controversas 10 semanas que Trotsky passou em Nova York, antes de voltar à Rússia para liderar o Comitê Militar-Revolucionário que levou à derrubada do Governo Provisório na Revolução de Outubro.
Em vários casos ao longo do livro, Ackerman documenta como a comunidade judaica desempenhou um papel significativo na vida de Trotsky durante sua breve estada na cidade.
“Muitos desses judeus em Nova York conheciam Trotsky como alguém que havia denunciado abertamente o czar por seu antissemitismo”, diz Ackerman. "Então ele era muito popular".
No primeiro dia em que Trotsky chegou a Nova York, ele deu uma entrevista a Forverts (The Forward), um jornal socialista iídiche que tinha um público diário de 200 mil - uma circulação que rivalizava com a do The New York Times.
A entrevista acabou sendo embaraçosa para Trotsky quando ele não conseguiu falar iídiche com o repórter judeu. Os Bronsteins - por razões de praticidade e comércio - falavam principalmente ucraniano e russo na casa da família.
"Trotsky certamente conhecia algumas palavras e frases em iídiche apenas ao redor de outros judeus", diz Ackerman. "Mas ele nunca falou ou escreveu em iídiche de maneira consistente."
Trotsky nasceu Lev Davidovich Bronstein em outubro de 1879, de uma família de agricultores em Yanovka, na província de Kherson. Então chamada Nova Rússia, a província agora está no sul da Ucrânia.
O pai de Trotsky, David Bronstein, era um agricultor que se arrastou da escada social do camponês para o rico proprietário de terras em apenas alguns anos. A riqueza dos Bronsteins foi possível graças a um novo esquema do governo em meados do século XIX que viu o surgimento de colônias agrícolas judaicas em Kherson.
Trotsky sempre se viu em primeiro lugar como internacionalista cosmopolita-marxista, e embora ele certamente não negasse sua origem judaica, ele fez poucas referências a ele durante toda a sua vida - muito provavelmente porque ele associava o status burguês de seu pai com seu judaísmo.
Trotsky chegou a Nova York via Barcelona a bordo do Montserrat, com sua esposa, Natalya e seus dois filhos, Leon e Sergei.
Ele foi expulso da Europa por suas visões radicais, que pediam uma revolução marxista global e a derrubada da ordem mundial capitalista existente. Trotsky também cumpriu pena na prisão - e escapou - por suas atividades revolucionárias.
Embora Trotsky fosse bem respeitado no pequeno grupo de intelectuais marxistas sofisticados de todo o mundo, que o conheciam de sua afiada prosa jornalística, ele era em grande parte desconhecido pelo público em geral ou pela grande imprensa quando chegou a Nova York em janeiro de 1917.
Mas esse anonimato logo desapareceu. Em outubro daquele ano, como um dos líderes da Revolução Bolchevique, Trotsky tornou-se uma figura de impacto global.
Ele fundou o Exército Vermelho, comandando-o com sede por sangue e era uma figura importante nos primeiros anos da Internacional Comunista - a Revolução de Outubro transformaria o curso da história do século XX, e Trotsky, junto com Lenin, desempenhou um papel proeminente nessa transformação.
Aqueles eventos épicos, no entanto, ainda estavam a poucos meses de distância. Em Nova York, entre janeiro e março de 1917, Trotsky ainda estava construindo sua reputação de intelectual radical que representava uma ameaça à hegemonia capitalista mundial.
E como o livro de Ackerman relembra, até abril de 1917, os Estados Unidos ainda não haviam entrado na Primeira Guerra Mundial. Muitos judeus e emigrantes russos em Nova York - a cidade mais anti-guerra dos EUA na época - manifestaram publicamente sua oposição ao envolvimento dos Estados Unidos. Esses judeus viam isso como ajudando o czar, que havia promovido o anti-semitismo que os expulsou da Rússia em primeiro lugar.
Trotsky estava entre as figuras que lideraram os protestos contra a guerra tanto em discursos públicos quanto em artigos de jornais impressos na imprensa iídiche de Nova York.
“Em Nova York, em 1917, havia uma enorme suspeita de socialistas, líderes trabalhistas e forasteiros”, diz ele. “Muito disso foi alimentado pelo movimento trabalhista na América, a partir da década de 1880. Muitos dos líderes trabalhistas mais radicais eram da Europa Oriental e/ou judeus. Emma Goldman - que era judia - também foi um dos anarquistas mais proeminentes da época.”
A cidade era famosa por seu trabalho de exploração - os imigrantes compunham a maioria dos trabalhadores, as sweat shops eram o padrão e as pessoas muitas vezes trabalhavam até 10 horas seguidas, na esperança de ganhar talvez um dólar por seus esforços.
Consequentemente, um movimento trabalhista começou a surgir.
"Os judeus eram muito ativos em movimentos radicais e sindicatos", diz Ackerman. “E, à medida que os líderes judeus se tornaram mais visíveis, Trotsky tornou-se a exposição número um”.
O nome de Trotsky ficou associado a duas grandes hipóteses.
O primeiro era conhecido como o libelo alemão - a acusação de que a Revolução Bolchevique era uma mera criatura do esforço militar alemão para derrotar a Rússia na Primeira Guerra Mundial.
Isso também afirmou que Trotsky havia recebido US $ 10.000 de uma fonte alemã não identificada na cidade. Outros afirmavam que, se o dinheiro não tivesse vindo de imigrantes alemães e socialistas, ele poderia vir de um poderoso lobby de banqueiros judeus na cidade de Nova York.
"A segunda teoria da conspiração ficou conhecida como a conspiração judaica", explica Ackerman. “A ideia era que os banqueiros judeus pagassem a Trotsky para derrubar o governo e criar o bolchevismo”.
O livro de Ackerman explica com algum detalhe que a conspiração trotskista-judaica, em 1917, especialmente, tomou uma forma muito específica. Centrava-se no mais notável financista judeu de Nova York da época, Jacob Schiff.
Schiff usou abertamente sua riqueza para pressionar a Rússia a mudar suas políticas antissemitas. Além disso, Schiff recusara-se a permitir que seu banco participasse de empréstimos de guerra americanos à Grã-Bretanha ou à França, desde que se aliassem à Rússia. A sugestão de uma ligação entre Schiff e Trotsky veio diretamente do governo dos Estados Unidos - especificamente, sua Divisão de Inteligência Militar (MID).
O livro de Ackerman cita como os arquivos MID desse período estão repletos de insultos contra judeus de alto nível da cidade de Nova York, como Schiff e outros, conectando-os a líderes bolcheviques.
“Schiff, é claro, contribuiu para grupos que defendiam a derrubada do czar”, diz Ackerman.
Mas essa acusação de banqueiros judeus apoiando Trotsky e os bolcheviques não desapareceu da noite para o dia. De acordo com Ackerman, tornou-se parte do léxico do anti-semitismo ao longo dos anos 20 e 30.
“Esse memorando da inteligência militar vazou”, diz Ackerman, “e foi repetido em muitos lugares. Tornou-se parte da propaganda nacional-socialista e cresceu ao longo dos anos ”.
Como resultado dessas várias alegações, o retorno à Rússia não foi fácil para Trotsky. Depois de ouvir que Nicolau II havia abdicado em 15 de março de 1917, Trotsky procurou imediatamente viajar de volta à Rússia para incitar as fogueiras da revolução.
Mas ele foi preso em sua viagem de volta de barco pela polícia portuária no Canadá. Eles receberam uma denúncia dos oficiais da Inteligência Britânica por telegrama, pouco antes de ele embarcar em um navio em Nova York, voltando para a Europa. Trotsky seria mantido prisioneiro de guerra por um mês na Nova Escócia.
Eventualmente ele foi libertado.
Não demorou muito para que Trotsky estivesse de volta à Rússia, desempenhando um papel importante na Revolução de Outubro.
"Nos primeiros dias da Revolução Russa, Trotsky colocou todos os elementos no lugar para a aplicação da futura ditadura stalinista", diz Ackerman. “Ele era um forte defensor do comunismo de guerra, da centralização do poder no Partido Comunista Bolchevique e ajudou a criar a polícia secreta, a Cheka. Todas essas coisas ajudaram a criar um Estado ditatorial-comunista ”.
Consequentemente, Stalin assassinou Trotsky em 1940 e tentou eliminá-lo da história russa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A opressão judaica ás mulheres em Israel


Mulheres judias em Israel

Israel junto aos seus parceiros Ocidentais entram em todos os países com uma forte propaganda de igualdade e democratização, mas algo que não é noticiado em tais países é a opressão que as mulheres judias sofrem. Por exemplo, as constantes críticas ás mulheres islâmicas, propagandas insinuando que elas são oprimidas por sua religião e pelos homens que com elas são casados, esse tipo de propaganda circula pelo mundo inteiro, mas o que a imprensa manipulada pelos sionistas não divulgam é o sofrimento que as mulheres judias passam com os judeus ortodoxos, apesar de restrito a grupos específicos, complementa o machismo secular israelense e serve aos propósitos do projeto sionista. Ele procura contribuir para desconstruir a falsa ideia inabalável da democracia judaica. Contudo, apesar de não discorrer sobre o assunto, parto do pressuposto de que qualquer corrente política que prega a eliminação de outro povo não poderia ser menos excludente. Se as mulheres judias são, por vezes, sexualmente reprimidas, elas podem também representar o agente opressor: as mulheres palestinas são duas, três, quatro vezes menos privilegiadas. Elas sofrem por serem mulheres, por serem muçulmanas, por serem palestinas, por serem pobres. Me ative ao judaísmo porque sou judia e não pretendo falar sobre uma aflição que me é tão distante. Mas aproveito o espaço para prestar solidariedade às mulheres palestinas.

Texto feito por Elena Judensnaider
"Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que não me fez mulher.''
Este trecho faz parte da benção matinal judaica, que é recitada todas as manhãs por judeus, enquanto judias terminam a reza substituindo a parte destacada por que me fez conforme Sua vontade.
Eu cresci em um ambiente judaico praticante que, apesar de não ortodoxo, compartilhava espaços sagrados com famílias mais religiosas. Quando criança, me disseram para recitar a frase acima sempre ao acordar. Vi minha mãe ir ao mikvé, local em que acontece um ritual para purificação da mulher após cada menstruação e o nascimento de um filho. Vi minha avó usar peruca, porque judias religiosas não podem mostrar seu cabelo natural para qualquer homem que não seja da família. Fui convidada para casamentos de garotas de menos de 20 anos. Ouvi de professoras de escolas judaicas que as garotas não precisavam aprender tanto – afinal, logo casariam e teriam filhos e suas vidas se resumiriam a isso. Ouvi que os rabinos acompanhavam o ciclo menstrual das mulheres e as orientavam a ter relações conjugais com seus maridos nos dias férteis. Fui a sinagogas em que as mulheres se sentavam de um lado e os homens de outro. Em algumas, os homens ficaram no andar inferior, de frente à Torá (livro sagrado judaico), enquanto às mulheres ficavam reservadas poucas cadeiras, no andar superior, de onde mal se conseguia assistir às rezas.
Quando ia à sinagoga, eu tirava a roupa cotidiana e me vestia de acordo com a ocasião: precisava cobrir meu corpo entre os joelhos e os cotovelos, e pra isso tinha separados camisas três-quartos, saias que iam até depois do joelho e sapatos fechados. Eram as “roupas de sinagoga” e eu não questionava a mudança das vestimentas, considerando que se tratava de algo relacionado à etiqueta daquele lugar tão diferente da minha casa. Mas me deixava muito chateada que uma amiga ortodoxa da minha idade não pudesse assistir televisão comigo, e eu achava estranho que conhecidas mais velhas estivessem em vias de se casar com quem não conheciam.
Uma vez, ainda criança, reclamei para minha tia que tudo aquilo não era justo. Ela me respondeu firme, sem perceber a grande lição que estava me dando sobre relativismo cultural: “para elas, isso é felicidade”. Não pensei mais no assunto nos anos seguintes, procurando acreditar que minha tia estava certa.
Mas ela, que é mulher e judia, vai lutar pela Palestina?
Um familiar contou que ouviu essa frase, relacionada a mim, vinda de um funcionário de uma instituição judaica (não sei qual), quando teve conhecimento de que eu estava começando a militar a favor da Palestina. Imagino que ele não soubesse que, assim como eu estava me introduzindo e engajando na causa palestina, também me aproximava do feminismo.
A verdade é que foi ótimo ter ouvido essa frase, pois ela me deu muito mais clareza para entender a necessidade de lutas transversais, ou seja: não adianta lutar contra o sionismo sem lutar contra o machismo; não adianta lutar contra o machismo sem lutar contra o racismo e por aí vai. As lutas se complementam. Percebi que por ser mulher eu tinha ainda menos direito de me posicionar contra o sionismo e suas políticas fascistas. Isso se deve, além de ao machismo estrutural do qual os judeus não escapam, ao machismo particular reproduzido pelo judaísmo – principalmente o ortodoxo.
Mas não é exatamente sobre isso que quero falar.
Os grupos políticos ligados ao judaísmo costumam se colocar no campo ideológico oposto ao do islamismo, destacando principalmente os perigos que o extremismo islâmico pode representar para mulheres. Talvez, por isso, seja surpreendente que o judaísmo não seja isento de práticas religiosas e culturais que segregam as mulheres. A questão é: o julgamento de um grupo sobre religiões alheias é determinado pelo poder de que o grupo dispõe. Não, não se trata de campo ideológico. Trata-se de poder: ainda que a maior parte das religiões monoteístas seja patriarcal, quem tem poder, tem legitimidade pra exercer o machismo; quem tem mais poder ainda, pode exercer o machismo sem ser condenado internacionalmente.
Não estou, aqui, querendo comparar qualitativamente as obscenidades perpetradas pelo Estado Islâmico com aquelas cometidas pelos Haredim (judeus ortodoxos) ou ainda com o que pregam alguns líderes evangélicos no Brasil. Minha intenção é apenas a de demonstrar que os crimes à humanidade praticados por grupos religiosos não devem ser analisados na chave cultural (ou, ainda, moral), e sim na chave do poder. Porque eles existem em todos os grupos, mas o desenvolvimento ou a divulgação dos atos é proporcional ao seu poder, seja ele econômico, social, político ou militar.
É difícil nos distanciarmos dos paradigmas que o relativismo cultural nos impõe para discutir política, e isso inclusive dentro da esquerda: muito se confunde a defesa do oprimido com a defesa da cultura ou religião do oprimido, perdendo de vista as motivações de fato da opressão. É a condição social de origem dos imigrantes que determina a quem a xenofobia será dirigida. Na Europa, por exemplo, os russos que imigraram no início do século XX não sofreram o preconceito que os armênios sofreram em seguida e que os árabes sofrem hoje, justamente por conta de terem pertencido à elite em seu país de origem[2]. Ou seja: poder.
Os Haredim
Em Israel, por exemplo, os ortodoxos judeus têm muito poder.
Ainda que haja grande oposição ao extremismo religioso judaico dentro do país, a situação é especialmente preocupante devido ao interesse sionista nesse setor da sociedade.
Para que o governo tenha legitimidade para reivindicar o território é importante que haja uma população predominante na região. Se formos considerar Israel e os territórios ocupados, a população judaica não chega a metade. Essa é uma questão que existe desde a partilha da Palestina: apesar de o plano conceder 53% do território aos judeus, havia, à época, 600 mil judeus e 1,3 milhão de árabes na região. De lá para cá, a questão demográfica passou a ter muita importância. Para resolvê-la, o governo israelense promove campanhas de Aliá, ou seja, a imigração de judeus para Israel, baseadas na Lei do Retorno, que permite a concessão de cidadania israelense a qualquer judeu do mundo.
E é aí que entram os ortodoxos: com uma média de 6 a 7 filhos por família, os ortodoxos respondem a uma demanda urgente do Estado sionista de povoar e, consequentemente, controlar a região. Nesse contexto, e levando em consideração que, para o judaísmo, só é judeu quem tem a mãe judia, a mulher serve meramente como procriadora. Para isso, como incentivo ao estabelecimento e procriação dos ortodoxos, o governo oferece a eles isenção de impostos; dispensa do exército e subsídios financeiros.
Com isso, os ortodoxos têm muito poder. E, por ter poder, fazem mulheres serem detidas[3] por rezar “como os homens”. Proíbem as mulheres de cantar publicamente, de aparecer em outdoors ou de ser premiadas[4]. Colocam em circulação ônibus com divisórias[5], para que as mulheres se sentem na parte de trás e segregam as mulheres até nas calçadas[6]. Agridem e chamam uma garota de oito anos de prostituta[7] por não usar roupas “corretas”. Segregam as mulheres nas ruas. Apagam[8] lideranças políticas mulheres de fotografias de grande repercussão mundial. Se recusam a sentar[9] ao lado de mulheres em voos internacionais.
Sim, alguns desses casos são pontuais e não devemos generalizar a conduta de todo um setor da sociedade. Mas é importante notar duas coisas com relação aos ortodoxos judeus: a proteção institucional vinda do governo e a blindagem internacional vinda da mídia. Por que economizar a condenação moral, sempre tão bem-vinda à grande mídia, e ignorar uma problemática que é objeto de preocupação crescente entre os próprios israelenses?